Quem sou eu

Minha foto
"Minha alma se parece ao mar: tem ondas e tempestades; mas nas suas profundidades muitas perólas se hão de encontrar." Heinrich Heine - poeta alemão

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

O Silêncio


Magia.

Poder.

Cura.

Voz.



Odilon Redon O silêncio, 1911, óleo sobre cartão, 54,6 x 54 cm. The Museum of Modern Art, New York – Estados Unidos: www.moma.org

sábado, 19 de julho de 2008

Vida que espera...

Vida minha.
Tão boa, porém rígida.
Sempre me mantendo na linha
Da luta.
Da lida.
Do trabalho.
Diversão?
Tive meus dias,
Minhas alegrias
Meus arroubos,
Minhas paixões.
Meu amor.
Sei...
Ainda sou moça...
Cansada, porém inteira.
Sozinha, porém em paz.
Tranqüila, calma, porém...
Ainda na espera.

Cynthia julho/2008

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Patética

Patética.
Tola.
Apaixonada.
Em estado de graça...de achar graça de mim, de tudo.
Caminho nas nuvens, vejo o mundo cor-de-rosa...
Tudo é romântico.
Entrego-me
Amo.
Profundamente.
Sou transparente.
Assumo desavergonhadamente,
Todo sentimento.
Literalmente
Patética,
Aquela que comove a alma;
Enternecedora;
Tocante;
Própria para excitar comoção,
Sentimentos.

Cynthia junho/2008

sábado, 12 de julho de 2008

Incompatibilidade

Diferentes.
Divergentes.
Extremos
Opostos.

Sol.
Lua.
Água.
Óleo.

Amor.
Ódio.
Indiferença.
Paixão.

Coragem.
Covardia.
Guerra.
Paz.

Luz.
Sombras.
Desejo.
Medo.

Bem.
Mal.
Bom.
Mau.

Saudade.
Presença.
Tristeza.
Alegria.

Incompatíveis:
Eu
Você.

Cynthia julho/2008

domingo, 6 de julho de 2008

A arte de ser mulher...


Ser mulher.

Como é difícil hoje em dia!!
Como ser e estar preparada para isso?
Engraçado é que estou perto de fazer 40 anos e tenho certeza de que as mulheres da minha geração se confrontam com os mesmos questionamentos todos os dias.
Herdamos a atitude libertária da "queima de sutiãs" com o fato da maioria das nossas mães terem ido para a cama com apenas um homem na vida...
Resolvemos tudo na vida prática e somos tão confusas na vida afetiva, mesmo que saibamos perfeitamento o que queremos.
Ansiedade, paciência, coragem, flexibilidade, compaixão, generosidade e amor...são sentimentos e habilidades com as quais buscamos conviver.
O eterno confronto entre: ser decidida, responsável e ser doce e aparentemente submissa.
Ter a medida exata de passar de um estado para o outro: não ser agressiva demais, nem "boazinha" demais.
É... a complicada, misteriosa e indecifrável arte de ser mulher.


Segue uma crônica sensível e interessante de um homem sobre o tema:

A ARTE DE SER MULHER


Ser mulher é uma arte das mais antigas e misteriosas que existem. Resiste á força do tempo, transforma-se sem mudar, muda sem se modificar, modifica-se sem se tranformar.Ser mulher envolve conhecimentos muito além do que nós homens, simples mortais, podemos compreender.Como toda arte, tem seus segredos, é guiada pela inspiração, pelo desejo de perfeição, pela percepção diferente da realidade que as envolve, por um olhar além das aparências. Mulheres, ah mulheres, tão incompreensíveis em seus mistérios, tão envolventes em seu olhar, tão meigas e ternas, tão fortes e agressivas.Não há homem neste mundo que já não tenha tido um "nó na cabeça" com as mudanças radicais das atitudes de uma mulher. Não há mulher que não tenha mudado radicalmente em segundos, só para ver um homem aturdido, sem ação, sem meios de contestação.Ah, mulheres, jogadoras por natureza, fingem ser tão frágeis, tão dependentes, e na verdade são tão fortes, tão seguras de si.A bíblia diz que o homem é o cabeça da família, concordo plenamente, mas por certo faltou citar que a mulher é o pescoço.Oras, todos sabemos que a cabeça sem o pescoço não se move para lugar algum, estaria condenada a nada ver além do que estivesse à sua frente, talvez por isso exista a expressão " ela virou a cabeça dele...". Como são sábios os adágios populares...Mulheres são anjos e fadas, ( é verdade que algumas são anjos caídos e bruxas) tem poderes estranhos, sortilégios de amor, poções de coragem, encantos de sedução.Submissas? Que piada!Apenas esperam o momento certo de usar suas armas, são tão livres em sí mesmas, que fingem tudo aceitar e, sorrateiramente, calmamente, transformam a realidade.Mulheres são leoas, ai de quem se aproximar de suas crias, ainda que seja o pai das crianças, com intenção de ferí-las, ou ai daqueles que elas imaginem ter essa intenção...Talvez por isso, e por tanto tempo, ( infelizmente até aos dias de hoje ), alguns homens procurem deixá-las sujeitas à violência e aos maus tratos, tentando domar o seu espírito, cerceando a sua liberdade.São na verdade animais acuados no canto, rosnando e mordendo por medo de serem subjugados por um ser de aparência tão frágil. Doce ilusão...o espírito da mulher verga mas não quebra, aguarda apenas a ocasião para dar o grito de liberdade...engole o choro, e as lágrimas engolidas lavam-lhe a alma, alimentam o espírito, regam o solo fértil de seu jardim de sentimentos, até que um dia a mulher desabrocha em flor e toma conta do jardim.Ah, homens, tão fortes, tão senhores de si, se soubessem os segredos da alma de uma mulher não governariam pelo medo, antes aprenderiam a força da fragilidade.Ah, mulheres, se superassem seus medos, se revelassem segredos de sua alma, quão diferente seria o mundo.Mas as mulheres revelam sim a sua face,em doses homeopáticas para não assustar em demasia os homens, mostram sua força,sua capacidade de fazer mais e melhor, no entanto, depois de tanto sofrerem as imposições de um mundo machista, por vezes erram na dose,tornam-se aquilo que tanto desprezam.Ninguém, nem homem, nem mulher,é feliz sozinho.De que adianta a pseudo-independência emocional e financeira, se ao despertar pela manhã a cama está vazia? Se não há o ombro amigo onde se recostar e falar de seus medos e preocupações? Se não há com quem partilhar as alegrias...Homens e mulheres precisam sim aprender a viver as diferenças, a encontrar as semelhanças e compreender que a relação não é uma queda de braço, mas sim um quebra cabeças onde as peças devem se encaixar para que a imagem da felicidade possa ser vista por completo.A arte de ser mulher é também a arte de aparar as arestas, de usar a força do pescoço para mostrar que existe muito mais na vida do que a busca desenfreada pelos bens de consumo ou o conforto material de uma casa. Ninguém melhor do que a mulher para transformar uma casa luxuosa ou um simples barraco em um verdadeiro lar.Ninguém melhor do que um homem com medo para transformar um lar em uma simples casa.Ser mulher é saber exercitar o equilíbrio necessário para manter em pé as colunas do amor que sustentam uma relação duradoura.Ser homem realmente, é não ter medo de equilibrar-se sobre a força de uma mulher.A arte da mulher consiste em impedir que o homem tenha esses medos.
Jorge Linhaça

sábado, 28 de junho de 2008

Foi mal...

Foi mal...
Entendi tudo errado.
Confundi os sinais...
Enxerguei coisas demais...
Era fome,
Era sede
De Amor.
Delírios famintos e sedentos,
Que o seu olhar alimentou.
Acreditei que ele fosse só pra mim,
Que ele fosse só meu.
Mergulhei na profundidade imaginária
Que via no seu olhar.
Nem me dei conta que ele bailava e baila...
Sempre por aí...
Tão solto, tão perdido...
Foi mau.
Ver você ser ou estar assim,
Neste estado.
Enxergar você,
Como nunca imaginei.
Não ver mais "você".
O que quer ? Quando, onde, como ?
Não me interessa mais.
Tudo não passou de um
Engano,
Erro,
Mal-entendido.
Foi mal.

Cynthia/2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Cynthia from Mount Cynthus...


Incrível como a origem no nosso próprio nome pode ser interessante !

Cynthia é um nome de origem grega e significa “ do Monte Cynthus”. Cynthia foi usado originalmente como um epíteto da Deusa Grega da Lua, ÁRTEMIS, que era chamada também “Cynthia” porque, de acordo com a lenda, a Deusa havia nascido no Monte Cynthus.
DIANA, Divindade itálica muito antiga e importante, foi considerada, na época de maior influência cultural grega em Roma, como sendo equivalente à helénica ÁRTEMIS, Irmã gêmea de APOLLO, Filha de ZEUS e de LETONA. Os Gêmeos nasceram no Monte Cynthus,na Ilha de Delos. Devido ao fato de ÁRTEMIS ter nascido sob o Monte Cynthus, era chamada de Cynthia, ou Delia, e, por associação, também DIANA foi muitas vezes denominada CYNTHIA, ao ponto de se dizer que o topónimo «Sintra» deriva daí.Tratando-se de uma Deusa do Bosque, e da Caça, usava arco e caçava, como O Seu Irmão, e, tal como Este, também apreciava a música e a dança. Nunca se apaixonou, nem foi submetida a nenhum homem, razão pela qual era a Deusa da Lua «Casta», e, para além da sua Família divina, só tolerava companhia feminina. Assim, todas as Suas sacerdotisas eram virgens.

Apesar de, por ter sido considerada equivalente à helénica ÁRTEMIS, ter adquirido, na mente dos cultuadores, um aspecto florestal de caçadora, nunca perdeu o Seu caráter propriamente lunar, o qual a própria ÁRTEMIS também possui. Tal como ÁRTEMIS, tem uma faceta violenta e sanguinária, vingativa, embora se notabilize pelo seu lado mais pacífico e protetor.
No poema de Homero, a Ilíada, Ártemis lutou defendendo Tróia contra Atenas, tendo intercedido por diversas vezes, como para salvar Páris da morte, aquele que flecharia o calcanhar de Aquiles, matando o maior guerreiro grego.
Apesar dessa imagem protetora, Ártemis exibia facetas cruéis: matou o caçador Órion; transformou em urso a ninfa Calisto por deixar-se seduzir por Zeus; transformou Acteão em cervo para ser despedaçado por sua própria matilha e, com Apolo, exterminou os filhos de Níobe e Anfião, para vingar uma suposta afronta.
Sua participação na batalha contra os Titãs foi indispensável e não só nesta, pois viveu a vida punindo aqueles que mostravam desrespeito. Raivosa e um tanto cruel, a deusa que se despontou como protetora dos caçadores e da inocência mais intacta, era freqüentemente adorada em locais rústicos, preferencialmente ao redor de muita madeira. Armada de arco atingia com suas flechas todos que ousassem lhe insultar. Foi ainda, a patrona das Amazonas. Os colonizadores Gregos encontraram os habitantes da Ásia Menor cultuando uma Deusa a qual identificaram como Ártemis (Diana). Em sua homenagem foi construído um pequeno templo que levou 120 anos para ser terminado, tendo sido reconstruído e aumentado diversas vezes. Somente na quarta expansão ele foi incluído na lista das Sete Maravilhas do Mundo. O templo foi destruído num incêndio em 356 a.C., na noite do nascimento de Alexandre, o Grande.
Não Permite liberdades com Sua Pessoa nem Concede favores à quem não merece. Como Irmã Gêmea de Apolo(O Sol), é o contraponto feminino á seu Irmão.
Há muitas diferenças entre Diana e Ártemis, Diana além de tudo é Mãe,e não Filha de Júpiter e Latona, mas sendo associada à Ártemis,acaba gerando certas confusões...Pela tradição, o sacerdote devia ser um escravo fugitivo que matasse o antecessor em combate. Em Roma, seu templo mais importante localizava-se no monte Aventino e teria sido construído pelo rei Servius Tulius no século VI a.C. Festejavam-na nos idos (dia 13) de agosto. Na arte romana, era em geral representada como Caçadora, com arco e aljava, acompanhada de um cão ou cervo. Diana é um Deusa Protetora das Virgens,meninas,dos pobres,fracos e oprimidos e principalmente dos puros e inocentes. Protetora da Virgindade e ao mesmo tempo da sexualidade e romance. Senhora da Lua e da Escuridão,Noite,associada á Nicnevin(" A Brilhante").

Ela era constantemente representada com uma Lua Crescente em Sua Testa,vestindo uma curta túnica branca ,Armada com um arco e Cercada por cães e gamos.As Ninfas que A acompanham simbolizam a parte da mente e da psique humana eternamente jovial e despreocupada.

Quando Diana Mostrava Seu Lado mais descontraído enquanto Dançava,Cantava ou Tocava Seus instrumentos musicais,a flauta e a lira,era Acompanhada pelas Musas e Graças. Nesse período,a Deusa Exerce Seus Dons de Cura e Auxilia áqueles a quem Julga merecedores de seu favor. Diana,Costuma Proteger os puros e inocentes quando estes A invocam (principalmente virgens e crianças,especialmente meninas).Se não Pode Protegê-los devido à Influência de Outras Deidades ,Ela ao menos Proclama sua inocência.

Diana era sempre honrada na Antiga Roma, no sexto dia de Lua Nova(ou Crescente),em fevereiro (do atual calendário gregoriano-aproximadamente no dia 12) acontecia um grande festival em honra á Caçadora Divina. Diana é a Deusa dos Bosques,uma Deidade da Natureza que Ama as florestas,os animais e a água corrente.É também a Protetora de todas as mães e das criaturas recém-nascidas,inclusive humanos. Como a Senhora das Feras Selvagens, domina animais como os tigres,leões,panteras,gatos,cervos e alces.

Senhora dos Animais,por vezes chamada de " A de Muitos Seios",sendo Considerada Deusa Nutridora, da Sexualidade e Fertilidade. Deusa das montanhas,lugares selvagens,das mulheres,nascimentos( por ter Nascido um pouco antes de Seu Irmão Gêmeo Apolo,e ter ajudado e assistido o parto de Sua Mãe Latona (Leto-para os Gregos).Seu Título "Rainha do Paraíso" era o nome romano para a Deusa Tríplice(Donzela,Mãe e Anciã); seus aspectos são:a Virgem Caçadora Lunar,Mãe das Criaturas e Caçadora Obscura (ou Destruidora).Seus animais principais são o cão e o alce. Patrona dos foras-da-lei, ladrões e vagabundos que trocavam a Noite pelo Dia.


Olha... muita coisa faz sentido agora... a noite, a lua, o instinto protetor, a natureza, os animais, a compaixão e principalmente as flechadas rápidas e certeiras...kkkkk .


Adorei te conhercer Ártemis/Diana/Cynthia



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Atributos:


Invoque Diana para:independência,força,vontade,ligação com a Natureza e seu lado selvagem,atingir metas e objetivos,resgatar a feminilidade,resgatar a dignidade(feminina especialmente),todos os tipos de encantos,defesa,proteça mágica,voto de castidade (celibato), manter o foco,vencer apatia,viagens,proteger virgindade,perder virgindade, fertilidade(principalmente feminina), purificação, caça, cura, saúde, vigor, juventude, entendimento, sabedoria, respeito, honra, reprodução, sexo, aprender os mistérios da Noite, Terra, Lua, Magia, Vida, Natureza e Mulher.
Símbolos: crescente de prata,arco e flecha,garra de urso,estrelas,árvores,gatos,animais.
Dia da semana: Segunda-feira
Cores: branco,azul-claro,verde-folha,prata,preto,vermelho.
Aroma: ervas ,incensos e cristais: artemísia, arruda, verbena, ditamo, jasmim, jacinto,
margarida, mandrpagora, lunária, papoula, absinto, pedra-da-lua, quartzo branco, ametista, selenita.

Honre Diana ao dedicar algum tempo á proteção do ambiente que o circunda.Não me refiro a reuniões ambientais,mas sim a alguma atividade pessoal de fato.Escolha um projeto em sua vizinhança ao qual possa dedicar sua atenção.Recolha lixo de um terreno baldio.Ajude uma pessoa idosa,ou doente,ou deficiente a limpar seu jardim/quintal.Leve um saco de lixo quando sair para uma caminhada.Se houver animais domésticos abandonados pela vizinhança ,tente achar um lar para eles,ou ao menos peça para a Sociedade Protetora de animais(ou outras ONGs de proteção de animais) venha recolhê-los.Há muitas outras maneiras de se honrar Diana,não apenas nesta Lua Crescente ,mas todos os dias.
Como um ritual especial para Diana dos Bosques ,pendure ao lado de fora de sua casa fatias de maçãs e potes com sementes para as aves.Pássaros diferentes têm necessidades diferentes.Se houver esquilos ,separe castanhas para eles(sem sal ,por favor!).

Para criar um elo especial entre você e Diana dos Bosques ,encontre uma estátua ou figura de um animal que lhe atraia e exiba-o em um local de destaque em sua casa.A cada vez que olhar para ele,pense na conexão vital entre você e todos os seres vivos.É possível encontrar estátuas de Diana a preços acessíveis.Possuir uma estátua desta Deusa em seu local de culto doméstico é bom lembrete de que você a honra a cada vez que faz algo em honra da Terra e de suas criaturas.

Sempre que visitar a Natureza, em sua varanda,quintal,jardim,pomar ou no seu recanto especial ao ar livre ,você pode entoar estas palavras:


"Deusa das Florestas e da Lua,
Diana da Crescente de Prata ,
Eu entôo minhas preces a você.
Ergo meus braços em direção a sua Crescente Celeste.
Obrigado por Cuidar das criaturas dos bosques,
Por Proteger as florestas e os prados.
Proteja-me e aos meus,pois somos seus filhos espirituais.
Querida Diana,canto suas preces."

Festival de Diana
Cores: Branco,Azul e Prata
Elemento Principal: Terra
Altar: Em um pano branco, três velas brancas, uma lua crescente prateada, um cálice de vinho branco, e figuras de ursos, lobos,felinos(Ela Ama gatos e felinos em geral...humm eu não gosto de gatos...mas adoro cães) e colméias.


Fontes:



sábado, 21 de junho de 2008

Onde sempre esteve

A paz não chega,
Sempre esteve
Aqui
Dentro.
Camuflada,
Perdida,
Impedida.
Sufocada
Por pensamentos
Tortos,
Doentes,
Dementes.
Condicionados pelo
Medo,
Apego,
Ira,
Pelo Ego.
Tão superficial,
Manipulador,
Destrutivo.
Diferente do
Verdadeiro
Eu.
Superior,
Consciente,
Livre.
Contemple,
Observe,
Enxergue.
Liberte-se.
E encontre,
Abra caminhos para a
Paz
Que sempre teve e
Esteve.

Cynthia junho/2008

A Mente

Corpo.
Alma.
Mente.
Inspira.
Expira.
Respira.
Sente.
Observa.
Espera.
Compreende.
Fica consciente.
De quem realmente é.
De querer ter e possuir,
O que nunca será seu.
Simplesmente porque
Nada fica, Tudo passa.
Só não passa
O contínuo querer ter
Sempre.
Insaciável.
Insatisfeito.
Transitório.
Impermanente.
É o Corpo,
A Alma,
A Mente.

Cynthia junho/2008

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A arte de viver


Será possível?
Será que existe uma receita para viver bem e ser feliz?
A vida anda tão maluca que nos deixamos levar, literalmente, pelo trânsito insuportável, pelo stress das relações pessoais e profissionais, pelo custo de vida, pelas pressões que nos impomos, enfim...ufa!!
As soluções comuns para conviver com tudo isso estão nos consultórios psiquiátricos, terapias holísticas, homeopatia, alopatia, farmácias etc.
Eu passei por todas elas. Da pílula milagrosa à regressão espiritual. Conhecê-las foi muito bom para perceber os caminhos que a sociedade ocidental encontrou para se "curar", seguindo os preceitos capitalistas do custo/benefício: quanto mais caro, melhor. Será?
Estava tão envolvida e distraída com a busca que nem percebi que a "cura", como já sabemos, estava dentro de mim. Porém, como achá-la? Como entendê-la?
Na minha pós-adolescência li um livro muito interessante do W. Somerset Maugham - O fio da navalha - que conta a história de um inglês que descobre "os caminhos da libertação" por meio de práticas orientais como o auto-conhecimento e a meditação.
Influenciada pelo livro e pela curiosidade, fiz alguns cursos na época, e por alguns anos pratiquei a meditação Brahma Kumaris. Tormei-me vegetariana, entendi que tudo na vida é inexoravelmente transitório e insaciável; e diante dessas certezas, vivi em paz e felicidade durante um tempo (tudo bem que a idade ajudava bastante..rsrsrs).

Porém, não fui disciplinada o suficiente, então, deixei as loucuras da vida, suas tensões e cobranças me engolirem novamente. Voltei ao velho ciclo ocidental da busca pela "cura": terapia-medicação-dinheiro, muito dinheiro.
Hoje, estou olhando para o Oriente novamente, voltando para o velho "caminho do meio" citando tantas vezes por Buddah, nada de hedonismo nem ascetismo, através da meditação promovemos o auto-conhecimento, a compreensão da nossa mente e seus condicionamentos, moradia de todos os nossos problemas.

Não é fácil, pois exige disciplina e dedicação, mas é efetivo.
A técnica de meditação é outra, a Vipassana, ela concentra-se na observação da respiração e das sensações motivadas pelos pensamentos e tensões. "Tudo é uma questão de manter: a mente quieta, a espinha ereta, o coração tranquilo" ; e observar, contemplar e tentar se compreender.
Fácil? De jeito nenhum. É tão difícil que muitas pessoas desistem e voltam para as soluções mágicas.
Eu estou tentando... só de estar de volta a esse caminho já me causa um bem estar enorme. Recomendo: Meditação como princípio, exercício e prática!! Para uma vida tranqüila e feliz.

Namastê!

Cynthia junho/2008
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"Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo." Buddha

"O Eu é o mestre do eu . Que outro mestre poderia existir? Tudo existe , é um dos extremos.Nada existe é o outro extremo.Devemos sempre nos manter afastados desses dois extremos, e seguir o Caminho do Meio." Buddha

(Nemastê: "saudação reverencial ao seu eu interior", ou "o deus que há em mim saúda o deus que há em ti").

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Mas informações sobre a meditação Vipassana:
http://www.dhamma.org/pt/art.shtml

domingo, 8 de junho de 2008

Confesso que vivi...





Confesso que vivi - Pablo Neruda.
Este livro, sua autobiografia, entrou na minha vida aos 16 anos, pelas mãos do meu primeiro namorado.
O mundo e a poesia se mostravam para mim pelo olhar de Neruda.
Ao mesmo tempo, fui incentivada a ler, Garcia Marquez : O amor nos tempos do cólera...
Desses encontros, na minha adolescência, ficou a certeza de que o Amor era o sentimento mais generoso, completo e perfeito que existia; e que o queria sempre presente na minha vida.
E assim foi e assim tem sido.
O Amor pela minha família, amizades... sempre no meu coração.
O Amor romântico e eterno...sempre como vivência e objetivo.
Quando não estou amando, estou buscando amar.
A falta de amor é insuportável, imperdoável, um lapso, um corte, um vazio.
Sofremos tanto pela falta do Amor que idolatramos e lamentamos a perda do último que passou.
O meu primeiro Amor foi real e perfeito.
Todos os outros amores foram variações deste:
Algumas vezes real e imperfeito, outras vezes irreal e perfeito; muitas vezes imperfeito e irreal; e alguns momentos real e perfeito novamente.
Enfim...

Como diria Neruda:
"Confesso que vivi..."
Por Amor,
Pelo Amor e
Com Amor.

Um pouco do Poeta:

"Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim.
A segunda é ver o outono.
A terceira é o grave inverno.
Em quarto lugar o verão.
A quinta coisa são teus olhos.
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando."


"Tira-me o pão,
se quiseres,tira-me o ar,
mas não me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver

que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta

o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,

ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso comoa flor que esperava,
a flor azul, a rosa

da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,

do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria."

"Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono."

"Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.
Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.
Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.
Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade."

"É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te veste

se como arranjas
os cabelos e como a tua boca sorri,
ágil como a água

da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,

feita de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,

assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro."

"Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,

como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo. "

"Dois...Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“Paralelos que se encontram no infinito...”
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas."

Referências:
Cien sonetos de amor. Santiago, Ed. Universitaria, 1959.
Confieso que he vivido. Memorias. Barcelona, Seix Barral, 1974. (autobiografía)
Todo el amor. Santiago, Nascimento, 1953.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Brindemos!!

Hoje eu queimei
Tudo.
Mandei tudo
Embora.
Tudo aquilo que me prendia,
Pesava, enchia , sobrava...
Mágoas,
Raiva,
Medo,
Culpas.
Livrei-me.
Libertei-me
Perdoei.
Perdoei-me.
Limpei todos os cantos,
Todas, todas, todas,
Todas as histórias.
Estou Leve.
Sou Livre.
Eu Sou Paz, Amor e Harmonia
Brindemos!!
Um novo tempo começa!

Cynthia junho/2008

O que realmente importa

O jogo acabou.
A máscara caiu.
Queria ver
Coragem.
O fim da
Mentira,
Covardia,
Hipocrisia,
Dissimulação.
Pactos velados.
Que a verdade
Surgisse.
Encarasse
Assumisse.
Os próprios erros, mancadas,
Vacilos.

Não importa se
O que se quis
Não esteja.
Não seja.
Ou seja
Apenas sinais, devaneios, ruínas...
De algo que poderia ter sido
Grande, intenso e lindo.
Que agoniza.
Reluta...em ter existido (?)

O que Realmente
Importa
É o Respeito,
A Admiração,
A Dignidade
De se ver.
De se ter.
De se guardar.

Cynthia maio/2008

domingo, 1 de junho de 2008

Incommodare

Por
Incomodar.
Inquietar.
Importunar.
Incommodare.
Causar incômodo.
Incomodo.
Incomodando.
Deixando você incomodado.
Irritado.
Indisposto.
Exasperado.
Exacerbado.
Exagerado.
Encolerizado.
Hostil.
Ofensivo.
Inexorável.
Implacável.
Insensível.
Rude.
Severo.
Austero.
Você?
Você!
Você.
Por quê?

Cynthia Junho/2008

O avesso

Quando me apaixonei...
Lembro-me apenas do que senti:
O seu olhar invadindo a minha alma,
O meu corpo estremecendo, a palavra me faltando.
O tempo parando.
Todas as possibilidades se abriram...
Todos os sonhos voltaram...
Sonhos de ser feliz, de ser amada, desejada.
Tudo perfeito:
A pessoa certa, o momento certo, o amor certo.
Apaixonei-me por tudo em você:
Seu jeito estranho e arredio,
Seus cabelos cacheados e macios,
Suas infantilidades... todas elas.
Amei tudo. Esperei tudo.
Mesmo sabendo que poderia estar
Sozinha
No meio de tantos sentimentos.
Hoje me vejo:
Perplexa.
Perdida.
Vazia.
Vivendo o avesso de tudo o que senti.
De-sa-pai-xo-nan-do.
De-sa-pai-xo-na-da.
No entanto...
Ainda...
Sozinha
No meio de tantos outros sentimentos.

Cynthia junho/2008

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Sincera, como sempre devemos ser...

E um dia...
Abri meu coração!
Fui sincera, como nunca devemos ser...
Nem pensei em me proteger...
Tudo que queria era falar do MEU AMOR.
Era que soubessem do MEU AMOR.`
Patética? Que pensem...que falem...
Jogos? Artimanhas?? Que nada...
Sem pudor, mas com dignidade
Falei as coisas mais lindas, mais doces, mais delicadas...
Falei da minha agonia, da minha paixão, da minha urgência...
De viver, de dar o MEU AMOR.
Ahh!! Como bom gritar para o mundo:
EU TENHO UM AMOR!! VOCÊ É O MEU AMOR!!
Pronto. Falei!
O resultado?
Triste.
Piada e diversão.
Mas não importa.
Tenho orgulho e admiração.
Fui sincera, como SEMPRE devemos ser.

Cynthia maio 2008

sábado, 24 de maio de 2008

O mistério de Clarice...

ADORO essa mulher, essa menina!!!

Profunda , misteriosa, tempestiva, lúcida, elegante...enfim...MARAVILHOSA!!!!!

CLARICE LISPECTOR
*********************


VIVO me fazendo as mesmas perguntas e chegando a mesma conclusão...rsrsrs:

“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever?
Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”
************************************************************
Olha que liiindo!!!! Tudo o que perdemos por não estarmos distraídos...

"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles.Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.Como eles admiravam estarem juntos!Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

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E assim, com algum atraso, veio-me o AMOR...

“[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez. Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.Pois juro que a vida é bonita.”
Referência:
Fragmentos de crônicas publicadas no Jornal do Brasil de 1967 a 1973.
Indicação:

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Perdoar...





Levava pela vida
Um presságio:
Aprender a perdoar.
No início não fazia sentido,
Não tinha o que perdoar.
Com o tempo a vida
Mostrou
O grande desafio que é
Ser essencialmente Bom.
Perdoar o tapa na cara,
O soco no estômago,
A puxada de tapete...
Nem todos os valores cristãos,
Nem todas as filosofias orientais
Deram-me tal nobreza.
Não é para todos os casos,
Qualquer animosidade.
Apenas perante a mais sórdida maldade,
Crueldade, perversidade.
Situações onde
Tudo se quebra, tudo se rompe;
Que não deixam caminhos para voltar.
Tentar juntar os pedaços?
Exercitar a alteridade?
A compaixão?
Já não dá...
Então...carrego comigo
Essa incoveniente e pesada
Bagagem, de alguns
Grandes pesares,
Que mesmo querendo MUITO
Simplesmente não consigo
PERDOAR.

Cynthia maio/2008

sábado, 17 de maio de 2008

Oxalá chegue logo...

Oxalá eu entenda...
Tanto tempo perdido,
Tanto amor confundido,
Tantas brigas sem razão.

Oxalá eu perdoe...
As atitudes insensatas, exageradas,
Totalmente desnecessárias.
A falta de compaixão.

Oxalá eu aceite...
Ter me iludido tanto,
Ter acreditado tanto,
Apenas num olhar.

Oxalá passe logo...
O tempo da mágoa,
Do ressentimento,
Do desencanto.

Oxalá chegue logo...
O Amor maduro, sereno e companheiro.
Que a vida, enfim... dê trégua
Para o meu coração.

Oxalá!

Cynthia maio/2008

terça-feira, 13 de maio de 2008

Elogio a leveza...

Ufa!!
Como a gente se esquece da leveza.
Ficamos tão envolvidos com o trânsito pesado, as contas pesadas, pessoas pesadas...que nos esquecemos o quanto a vida pode ser leve.

LEVEZA URGENTE!!!
VINÍCIUS DE MORAES para mim e para todos!!!





Suas poesias, letras e músicas são maravilhosas!!!
Mas a BELEZA e a LEVEZA do seu espírito são urgentes para sobrevivermos nos dias de hoje.
Para tentarmos evitar palavras e "gestos desnecessários".

Todos os depoimentos que vejo sobre ele têm em comum dois aspectos:
o sorriso de quem fala e a reincidente leveza de Vinícius.
Ele sim, foi uma pessoa leve.

Segundo Affonso Romano Sant'Anna:
"Vinícius era tão leve que chegava a ser leviano na gravidade de suas paixões".

Ferreira Gullar disse que :
" Vinícius ajudou o brasileiro a ser feliz" devido a sua leveza, pois de acordo com Gullar:
" a vida é uma invenção, ou você inventa para o BEM, ou inventa para o MAL e Vinícius sempre, sempre inventava para o BEM, era leve e engraçado..."

Em uma de suas crônicas (cujo título plagio, com todo respeito), Sant'Anna fala de um texto que conta uma história muito boa sobre Vinícius e o seu airoso espírito leve.

Segue o trecho:

"Era um texto recuperado por Genetton Moraes, que falava de três daqueles seres leves, levianos: Vinícius, Otto e Antônio Maria. Era o texto de uma entrevista dada por Vinícius ao Otto, para o Jornal da Globo, quando esse era também um jornal mais leve. Aliás, quando a televisão era mais leve, quando o pais era mais leve. Quando éramos mais leves e não sabíamos.
Vinícius narrou ao Otto que às vezes ele saía da boate Sacha’s de madrugada com o Antônio Maria e ficavam os dois andando pelo Leblon para farejar com curiosidade canina que caminhos os cachorros vadios da madrugada seguiam. Vejam, houve um tempo em que se podia andar angelicamente de madrugada pelas ruas do país para acompanhar franciscanamente cães vadios. E assim, chegaram ambos a Copacabana onde, de repente, viram um estranho aglomerado de pessoas na areia, às seis da manhã. Pensaram que era afogamento, mas perceberam que o grupo levantava ao mesmo tempo as pernas ou os braços. Eram ginastas.

Perplexos, Maria e Vinicius se dizem:
-Devem ser nórdicos!
E Maria que chamava sempre Vinícius de Poesia, diz:
- “Poesia, vamos fazer aqui um juramento”. Qual juramento, indaga Vinícius.
E Maria: “Vamos jurar que nós nunca faremos um gesto desnecessário”...

Foi uma geração de frasistas geniais. Não era só o Otto, que recebeu de Nelson Rodrigues a alcunha de “genial frasista de São João del Rei”. Eram todos frasistas. A vida, uma amizade, um amor por uma frase. Rubem Braga que vivia tartamudeando palavras, não pesava nada. E um dia quando alguém, talvez Danuza Leão, falava umas coisas pesadas sobre um ex-amante, Rubem advertiu: “Não cuspa no prato que te comeu”.

Essas pessoas eram muito o espírito de uma geração, de uma época do Rio e do Brasil. Também com um presidente leve como Juscelino, que de tão leve vivia valsando e que botou em aviões uma cidade inteira levando-a para o planalto central, com ele tudo ficava mais fácil e mais leve. "
Referência:
Sant'Anna, Affonso Romano de, 1937 - Tempo de delicadeza - Porto Alegre: L&PM, 2007.

domingo, 11 de maio de 2008

E eles se foram...

E eles se foram.
Eles que por tanto tempo estiveram por aqui.
O medo já não é mais companhia.
A tristeza, só aparece como conseqüência de uma emoção,
porque no fundo, mesmo sendo boa,
toda emoção é um pouco triste.
A raiva, a revolta morreram de inanição.
A crueldade perdeu-se do seu algoz.
As decepções, frustrações e rejeições foram incineradas pela Lucidez.
A agonia, os tormentos e o desespero foram aniquilados pelo Equilíbrio.
A mente aquietou-se.
E a Esperança mansamente se instalou.
Um novo tempo... tempo de paz,
para o meu coração, pensamentos, para a minha vida.
E eles, todos eles, enfim...
foram levados, foram embora... junto com você.
Cynthia ( maio/2008)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

"Vai, Carlos! ser gauche na vida."





Adoro esse minerim carioca... itabirano "de alma de ferro", que tem "o hábito de sofrer, só porque o diverte".

"Gauche" na vida, quer dizer, acanhado, inepto...enfim às avessas, o "torto" que está à margem da realidade e que com ela não consegue se comunicar. Era como que ele se via, e é por isso que me identifico com ele.

Tenho como lema a sua deixa...

"Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida.
Mas a poesia (inexplicável) da vida. "


Precioso, preciso nos versos livres e brancos.
"Estilo sublime", "estilo mesclado", refinadíssimo.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Falou que o Amor tem seu tempo, que é "privilégio dos maduros", que "Amor começa tarde"... e que "se aprende no limite".
E que "apesar de todas as suas contradições, o amor não perde a sua condição de sentimento maior" ...
..." A ausência do amor é a negação da própria vida."

Ler seus poemas devolvem-me a esperança, a fé de que não há nada mais o que fazer "senão, entre criaturas amar".



Poesias preferidas:

AMOR E SEU TEMPO

Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.

É isto, amor: o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado, nada mais existe

valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio
minúsculo, vibrando no crepúsculo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.


AMAR

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta,
e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma avede rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.


AS SEM-RAZÕES DO AMOR

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.

Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.

Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


DESTRUIÇÃO

Os amantes se amam cruelmente
e por se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são?
Dois inimigos.
Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo
volve a nada.
Nada.
Ninguém.
Amor, puro fantasma
que os passeia de leve,
assim a cobra se imprime
na lembrança de seu trilho.
E eles quedam mordidos
para sempre.
deixaram de existir,
mas o existido
continua a doer
eternamente.


MEMÓRIA

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.


O AMOR ANTIGO

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige, nem pede.
Nada espera,
mas do destino
vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento
e de beleza.
Por aquelas
mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte
o tempo desmorona
aquilo que foi grande
e deslumbrante,
o antigo amor,
porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente,
mas pobre de esperança.
Mais triste?
Não.
Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.


OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Chega um tempo
em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas
o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta,
não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra
teus olhos
resplandecem enormes.
És todo certeza,
já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice,
que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais
que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes,
as discussões dentro dos edifícios
provam apenas
que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo
em que não adianta morrer.
Chegou um tempo
em que a vida é uma ordem.
A vida apenas,
sem mistificação.

Referência:
Andrade, Carlos Drummond de, 1902-1987.
Carlos Drummond de Andrade/seleção de textos, notas, estudos biográficos, histórico e crítico por Rita de Cássia Barbosa - 2 ed. - São Paulo: Nova Cultural, 1988.
( Literatura Comentada)

sábado, 3 de maio de 2008

O tempo e a dor da palavra...

Tempo que vai passar...
Passe logo.
Bem depressa.
Para que logo eu encontre a minha paz, o meu sossego.
Passe e leve a minha dor.
Dor de palavras, das palavras.
Quem dera fosse dor física que simplesmente passa.
Dor de palavra não é assim, ela feri, demora, fica.
Palavras, apenas as palavras fazem isso.
Tão efêmeras e tão perenes.
Que podem trazer a doçura, a felicidade.
Que podem tirar o chão, a coragem.
O tempo conversa com elas.
Suaviaviza seus efeitos.
O tempo que as trouxe...que as leve.
Para bem longe dos meus pensamentos e lembranças.
Que elas cheguem ao esquecimento...
E de lá, mandem-me de volta a esperança.

Cynthia ( maio/2008)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Nelson Rodrigues... flor de obsessão

Não sei definir o que sinto quando leio Nelson Rodrigues... é uma relação tragicomica, saio dos risos e chego a querer enforcá-lo...rsrsrs...em "A vida como ela é ...", O óbvio ululante admiro-o tanto que seria capaz de ajoelhar-me aos seus pés; porém outras vezes, o mais fomoso dos Reacionários me enfurece...não sei não, mas acho que ele teria gostado desse tipo de relação com uma fã...rsrsrs...pretensiosa eu?? Batata!!!

Gosto muito dessa história sobre " A vida como ela é..."

"Em 1951, o jornalista Samuel Wainer convidou Nelson Rodrigues para trabalhar na Última Hora, assinando uma coluna policial. Sugeriu que a primeira falasse de um casal que morrera num desastre de avião partindo para a lua-de-mel, uma notícia que o jornal tinha dado no dia anterior. Nelson sentou à máquina e metralhou em alguns minutos a dramática história dos dois pombinhos. Como Wainer contaria mais tarde, achou o texto uma "obra-prima, mas Nelson tinha modificado nomes e situações". Chamou-o e pediu que fosse fiel à realidade. E ouviu a resposta: "Não, Samuel, a realidade não é essa. A vida como ela é é outra coisa." Wainer entendeu e resolveu apostar. Queria que a coluna levasse o nome de "Atire a primeira pedra", mas Nelson preferiu "A vida como ela é..."
fonte:http://www.terra.com.br/istoe/biblioteca/brasileiro/literatura/lit15.htm








Também gosto dessa: a fomosa entrevista de Geneton Moraes Neto durante o jogo do Brasil x Peru, seguem recortes:

"Quando a mulher avisa em voz alta que “o repórter de Pernambuco” estava na porta da sala, Nélson ergue os braços, agita as mãos, saúda o ilustre desconhecido com uma exclamação calorosa, como se reeencontrasse um amigo de infância : “Conterrâneo ! Conterrâneo ! “.O cumprimento efusivo não afasta o temor de que Nélson tenha cometido um pequeno equívoco : ao marcar a entrevista para aquele horário, ele bem que pode ter se esquecido de que a seleção brasileira iria entrar em campo dentro de instantes. A hipótese pode parecer absurda, mas quem sou eu para menosprezar as possíveis excentricidades de nosso herói ?Tento uma solução alternativa para escapar de um vexame : digo que posso voltar depois para gravar a entrevista; não quero importuná-lo na hora do jogo. Teatral, Nélson Rodrigues repousa a mão direita sobre o peito, como se sugerisse uma pontada no coração. Olha para a televisão, pede à mulher : “Tirem o som desse aparelho ! Tirem o som desse aparelho !.O Brasil me faz mal ! O Fluminense me faz mal !”. A mulher e a irmã de Nélson riem da cena teatral. Hiperbólico, épico, exagerado, o homem é uma fábrica de tiradas dramáticas. Desconfio de que acabo de me transformar em solitário e privilegiadíssimo espectador de um espetáculo teatral chamado Nélson Falcão Rodrigues, encenado pelo próprio autor...
...Assim, este forasteiro se vê de repente na condição de coadjuvante de uma cena surrealista : diante de uma TV sem som que transmitia o jogo da seleção brasileira contra o Peru, o autor das mais brilhantes crônicas já escritas sobre o futebol brasileiro simplesmente tira os olhos do vídeo para responder ao interrogatório de um visitante que chegou em hora inconveniente, munido de um gravador e um bloco de anotações...
....Fui testemunha ocular de uma verdade inapelável : Nélson Rodrigues era um cronista tão perfeito que nem precisava ver o jogo. O resultado da partida, as escaramuças dos jogadores, os esquemas táticos, todas essas bobagens não passavam de detalhes secundários aos olhos do gênio. A Nélson Rodrigues, importava a escalação do adjetivo certo na frase certa. Pouco interessava a distribuição de beques ou atacantes no retângulo verde. O relato dessas banalidades é tarefa que cabe aos “idiotas da objetividade” – estes pobres seres que só são capazes de enxergar a rala superfície dos fatos.A missão que Nélson Rodrigues outorgou a si mesmo era outra : traduzir em palavras a dimensão épica da maior paixão brasileira – o futebol. Para que, então, perder tempo com miudezas ? Para que ouvir o narrador descrever o jogo na TV ? Para que saber os nomes dos jogadores do Peru ? Para que saber se o meio-de-campo do Brasil estava ou não estava inspirado ?-“Em futebol , o pior cego é o que só vê a bola. A mais sórdida pelada é de uma complexidade shakesperiana. Às vezes, num córner bel ou mal batido, há um toque evidentíssimo do sobrenatural”, ele escreveu uma vez.Nélson Rodrigues preferia se ocupar de questões metafísicas – como, por exemplo, a inapetência de nossos escritores brasileiros em tratar do futebol. Numa de suas tiradas clássicas, reclamou :- Nossa literatura ignora o futebol -e repito : nossos escritores não sabem cobrar um reles lateral...
...Alheio a esta fraqueza nacional, Nélson parece distante da disputa que se desenrola, ali, diante de nós, no vídeo da TV, entre a seleção brasileira e o escrete peruano. Faz ao repórter uma pergunta incrível : “Quem é o nosso adversário hoje ? “. Informo que é o Peru.Fique registrado para a posteridade que o maior cronista do futebol brasileiro não precisava necessariamente saber quem era nosso adversário.Quando Zico faz um a zero, aos trinta e quatro minutos do primeiro tempo, Nélson interrompe a entrevista para inaugurar, aos brados, uma nova expressão exclamativa :- Que coisa beleza ! Que coisa beleza !Depois, pede à família : “Pessoal,com licença dos nossos visitantes,vamos fechar essa máquina porque já estou começando a ficar nervoso”. Aos não iniciados nas sutilezas do dialeto rodrigueano, esclareça-se que “fechar a máquina” significa desligar a televisão – o que, aliás, não foi feito. Nélson dispara, então, um julgamento entusiasmado sobre o escrete dirigido por Cláudio Coutinho :- Mas esses rapazes são uns gênios ! Uns gênios !O repórter seria novamente surpreendido. Nélson já perguntara quem era “nosso adversário”. Agora, ao ver o replay do gol recém-marcado, toma um susto : “Mas já houve dois gols ? “. Digo a ele que não : é apenas a repetição do primeiro gol. O placar é um a zero. O gênio da raça concorda com um “ah, sim !”. Teria dois outros motivos para vibrar : o mineiro Reinaldo – que entraria no lugar de Nunes - faria dois gols, aos 20 e aos 40 minutos do segundo tempo, para fechar o placar : Brasil 3 x O Peru.(Corro à banca no dia seguinte para comprar o jornal. O que diabos Nélson Rodrigues teria escrito sobre o jogo que eu não o deixara ver ? Eis :- Vejam vocês como o futebol é estranho – às vezes maligno e feroz. Mas não quero ter fantasias esplêndidas. O jogo Brasil x Peru, ontem, no Mário Filho, não assustou a gente. Diz o nosso João Saldanha : “O Brasil fez seu jogo, jogo brasileiro”. Vocês entendem ? Não há mistério. O brasileiro é assim. Quando um de nós se esquece da própria identidade, ganha de qualquer um. Outra coisa formidável : na semana passada, um craque nosso veio me dizer : “Nélson, é preciso que você não se esqueça : ao cretino fundamental, nem água”. O jogo foi lindo”.Penso com meus botões que Nélson não precisou esperar pelo início do jogo para escrever a crônica. Com certeza, despachou o texto para o jornal antes da chegada do repórter intruso. Os “idiotas da objetividade” se encarregariam de registrar, nas páginas esportivas, o jogo real. Porque o jogo de Nélson seria lindo de qualquer maneira. E aos cretinos fundamentais ? Aos cretinos fundamentais, nem água....
...A lista de surpresas nessa tarde no Leme não se esgotaria aí. Quando deu por encerrada a entrevista, Nélson pergunta ao repórter : “E então, você me achou muito reacionário ? “. Não, claro que não....

Fonte:http://www.geneton.com.br/archives/000012.html



Uma crônica...


Delicado
Nelson Rodrigues

Primeiro, o casal teve sete filhas! O pai, que se chamava Macário, coçava a cabeça, numa exclamação única e consternada:
— Papagaio!
Era um santo e obstinado homem. Sua utopia de namorado fora um simples e exíguo casal de filhos, um de cada sexo. Veio a primeira menina, mais outra, uma terceira, uma quarta e outro qualquer teria desistido, considerado que a vida encareceu muito. Mas seu Macário incluía entre seus defeitos o de ser teimoso.
Na quinta filha, pessoas sensatas aconselharam: "Entrega os pontos, que é mais negócio!"
Seu Macário respirou fundo:— Não, nunca! Nunca! Eu não sossego enquanto não tiver um filho homem!
Por sorte, casara-se com uma mulher; d. Flávia, que era, acima de tudo, mãe. Sua gravidez transcorria docemente, sem enjôos, desejos, tranqüila, quase eufórica. Quanto ao parto propriamente, era outro fenômeno estranhíssimo. Punha os filhos no mundo sem um gemido, sem uma careta. O marido sofria mais. Digo "sofria mais" porque o acometia, nessas ocasiões, uma dor de dente apocalíptica, de origem emocional. O caso dava o que pensar, pois Macário tinha na boca uma chapa dupla.
Quando nasceu a sétima filha, o marido arrancou de si um suspiro em profundidade; e anunciou:— Minha mulher, agora nós vamos fazer a última tentativa!
NOVO PARTO
No dia que d. Flávia ia ter o oitavo filho, os nervos de seu Macário estavam em pandarecos. Veio, chamada às pressas, a parteira, que era uma senhora de cento e trinta quilos, baixinha e patusca. A parteira espiou-a com uma experiência de mil e setecentos partos e concluiu: "Não é pra já!". Ao que, mais do que depressa, replicou seu Macário:— Meus dentes estão doendo!E, de fato, o grande termômetro, em qualquer parto da esposa, era a sua dentadura.
A parteira duvidou, mas, daí a cinco minutos, foi chamada outra vez. Houve um incidente de última hora. É que a digna profissional já não sabia onde estava a luva. Procura daqui, dali, e não acha.
Com uma tremenda dor de dentes postiços, seu Macário teve de passar-lhe um sabão:
— Pra que luvas, carambolas? Mania de luvas!

EUSEBIOZINHO

Assim nasceu o Eusebiozinho, no parto mais indolor que se possa imaginar. Uma prima solteirona veio perguntar, sôfrega: "Levou algum ponto?". Ralharam:— Sossega o periquito!O fato é que seu Macário atingira, em cheio, o seu ideal de pai. Nascido o filho e passada a dor da chapa dupla, o homem gemeu: "Tenho um filho homem. Agora posso morrer!". E, de fato, quarenta e oito horas depois, estava almoçando, quando desaba com a cabeça no prato. Um derrame fulminante antes da sobremesa.
Para d. Flávia foi um desgosto pavoroso. Chorou, bateu com a cabeça nas paredes, teve que ser subjugada. E, na realidade, só sossegava na hora de dar o peito. Então, assoava-se e dizia à pessoa mais próximo:
— Traz o Eusebiozinho que é hora de mamar!

FLOR DE RAPAZ

Eusebiozinho criou-se agarrado às saias da mãe, das irmãs, das tias, das vizinhas. Desde criança, só gostava de companhias femininas. Qualquer homem infundia-lhe terror. De resto, a mãe e as irmãs o segregavam dos outros meninos. Recomendavam: "Brinca só com meninas, ouviu? Menino diz nomes feios!". O fato é que, num lar que era uma bastilha de mulheres, ele atingiu os dezesseis anos sem ter jamais proferido um nome feio, ou tentado um cigarro. Não se podia desejar maior doçura de modos, idéias, sentimentos. Era adorado em casa, inclusive pelas criadas. As irmãs não se casavam, porque deveres matrimoniais viriam afastá-las do rapaz. E tudo continuaria assim, no melhor dos mundos se, de repente, não acontecesse um imprevisto. Um tio do rapaz vem visitar a família e pergunta:— Você tem namorada?— Não.— Nem teve? — Nem tive. Foi o bastante. O velho quase pôs a casa abaixo. Assombrou aquelas mulheres transidas com os vaticínios mais funestos: "Vocês estão querendo ver a caveira do rapaz?". Virou-se para d. Flávia:
— Isso é um crime, ouviu?, é um crime o que vocês estão fazendo com esse rapaz! Vem cá, Eusébio, vem cá!
Implacável, submeteu o sobrinho a uma exibição.
Apontava:
— Isso é jeito de homem, é? Esse rapaz tem que casar, rápido!

PROBLEMA MATRIMONIAL

Quando o tio despediu-se, o pânico estava espalhado na família. Mãe e filhas se entreolharam: "É mesmo, é mesmo! Nós temos sido muito egoístas! Nós não pensamos no Eusebiozinho!". Quanto ao rapaz, tremia num canto. Ressentido ainda com a franqueza bestial do tio, bufou:
— Está muito bem assim!A verdade é que já o apavorava a perspectiva de qualquer mudança numa vida tão doce.
Mas a mãe chorou, replicou:
"Não, meu filho. Seu tio tem razão. Você precisa casar, sim".
Atônito, Eusebiozinho olha em torno. Mas não encontrou apoio. Então, espavorido, ele pergunta:

— Casar pra quê? Por quê? E vocês? — Interpela as irmãs: — Por que vocês não se casaram?

A resposta foi vaga, insatisfatória:

— Mulher é outra coisa. Diferente.

A NAMORADA

Houve, então, uma conspiração quase internacional de mulheres. Mãe, irmãs, tias, vizinhas desandaram a procurar uma namorada para o Eusebiozinho. Entre várias pequenas possíveis, acabaram descobrindo uma. E o patético é que o principal interessado não foi ouvido, nem cheirado. Um belo dia, é apresentado a Iracema. Uma menina de dezessete anos, mas que tinha umas cadeiras de mulher casada. Cheia de corpo, um olhar rutilante, lábios grossos, ela produziu, inicialmente, uma sensação de terror no rapaz. Tinha uns modos desenvoltos que o esmagavam.E começou o idílio mais estranho de que há memória. Numa sala ampla da Tijuca, os dois namoravam. Mas jamais os dois ficaram sozinhos. De dez a quinze mulheres formavam a seleta e ávida assistência do romance. Eusebiozinho, estatelado numa inibição mortal e materialmente incapaz de segurar na mão de Iracema. Esta, por sua vez, era outra constrangida. Quem deu remédio à situação, ainda uma vez, foi o inconveniente e destemperado tio. Viu o pessoal feminino controlando o namoro. Explodiu: "Vocês acham que alguém pode namorar com uma assistência de Fla-Flu? Vamos deixar os dois sozinhos, ora bolas!". Ocorreu, então, o seguinte: sozinha com o namorado, Iracema atirou-lhe um beijo no pescoço. O desgraçado crispou-se, eletrizado:
— Não faz assim que eu sinto cócegas!

O VESTIDO DE NOIVA

Começaram os preparativos para o casamento. Um dia, Iracema apareceu, frenética, desfraldando uma revista. Descobrira uma coisa espetacular e quase esfregou aquilo na cara do Eusebiozinho: "Não é bacana esse modelo?". A reação do rapaz foi surpreendente.Se Iracema gostara do figurino, ele muito mais. Tomou-se de fanatismo pela gravura:

— Que beleza, meu Deus! Que maravilha!Houve, aliás, unanimidade feroz. Todos aprovaram o modelo que fascinava Iracema. Então, a mãe e as irmãs do rapaz resolveram dar aquele vestido à pequena. E mais, resolveram elas mesmas confeccionar. Compraram metros e metros de fazenda. Com um encanto, um élan tremendo, começaram a fazer o vestido. Cada qual se dedicava à sua tarefa como se cosesse para si mesma. Ninguém ali, no entanto, parecia tão interessado quanto Eusebiozinho. Sentava-se, ao lado da mãe e das irmãs, num deslumbramento: "Mas como é bonito! Como é lindo!". E seu enlevo era tanto que uma vizinha, muito sem cerimônia, brincou:— Parece até que é Eusebiozinho que vai vestir esse negócio!

0 LADRÃO

Uns quatro dias antes do casamento, o vestido estava pronto. Meditativo, Eusebiozinho suspirava: "A coisa mais bonita do mundo é uma noiva!". Muito bem. Passa-se mais um dia. E, súbito, há naquela casa o alarme: "Desapareceu o vestido da noiva!". Foi um tumulto de mulheres. Puseram a casa de pernas para o ar, e nada. Era óbvia a conclusão: alguém roubou! E como faltavam poucos dias para o casamento sugeriram à desesperada Iracema: "O golpe é casar sem vestido de noiva!". Para quê? Ela se insultou:

— Casar sem vestido de noiva, uma pinóia! Pois sim!

Chamaram até a polícia. O mistério era a verdade, alucinante: Quem poderia ter interesse num vestido de noiva? Todas as investigações resultaram inúteis. E só descobriram o ladrão quando dois dias depois, pela manhã, d. Flávia acorda e dá com aquele vulto branco, suspenso no corredor. Vestido de noiva, com véu e grinalda — enforcara-se Eusebiozinho, deixando o seguinte e doloroso bilhete: "Quero ser enterrado assim".

O texto acima foi extraído do livro "A vida como ela é...", Companhia das Letras- São Paulo, 1992, pág. 39

Indicação: site Releituras.com
http://www.releituras.com/nelsonr_bio.asp

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Asas do Desejo, Win Wenders e o meu Anjo...

Asas do Desejo de Win Wenders é um dos filmes da minha vida.
Desde que assiti venho tentando encontrar o meu Anjo que se jogou da eternidade por amor...rsrsrs...totalmente irreal, mas bom demais de se imaginar possível.
Há muito mais no filme, principalmente quando os anjos ouvem os pensamentos das pessoas com a compaixão que eles merecem; as bibliotecas são seus lugares preferidos, pois lá há mais pensamentos; somente algumas crianças conseguem vê-los;todos os anjos se encontram ao amanhecer e ao anoitecer na praia e o mundo, para eles, é em preto e branco. Porém, o desejo de ser mortal para conhecer o amor e as coisas simples da vida faz com que esse anjo desista de tudo e vá atrás da sua trapezista. Poético, sensível, profundo...lindo!!!

Segue o link de algumas cenas:







Falem o que quiserem... ninguém vai me impedir de inventar, nem de esperar, nem de Encontrar... o meu Anjo.

Não sei bem quando tudo começou, se foi o primeiro olhar, a primeira palavra...
O jeito de andar, o tom de voz, o perfume, a proximidade...o primeiro toque , o friozinho da barriga, aquele suspiro profundo...não sei... mas de repente, eu te Encontrei e você era tudo o que eu queria. Perfeito.
Tranquilo, bem-humorado, bonito, inteligente, sensual, educado..Ahhhh!! Perfeito!
Te encontrei poucas vezes na vida, mas eu te amei muito, de corpo e alma, sempre.
Para os deslizes...havia sempre justificativas: timidez, muito trabalho, o futebol.
Porque amor?? Ahhh !!! Esse existia de paralisar, de transbordar...
Um dia...tudo vai acontecer!!! Calma, calma...tenha paciência coração...respeite o tempo dele.
E assim foi...e assim tem sido...
E assim , hoje, percebo, quase que incrédula, que você só existe aqui, dentro de mim.
Percebo o quanto te confundi , te procurei e te perdi dentro de rostos, corpos e olhares reais.
Que esse Encontro pode demorar, ou até nem acontecer...
E enquanto isso...vou ter que ficar te desconstruindo, te “descorporificando” dos meus enganos, mal-entendidos, desencontros...
Restando-me, apenas... a espera, o imponderável, a contingência...para Encontrar você o meu Anjo.

Cynthia abril/2008

P.S. : Tô achando que vou mandar a conta do analista para o Win Wenders...é ele o culpado...só pode...rsrsrsrs

terça-feira, 29 de abril de 2008

Eu...

Estou...
Sempre disposta a estender a mão... para aquilo que me toca, para aquilo que eu acho justo. Sempre em busca do equilíbrio, da paz e da felicidade...bem...pelo menos eu tento.
Sempre encarando os acontecimentos como mais uma experiência, mais um aprendizado. Sempre olhando o lado bom das pessoas ( já quebrei muiiito a cara, mas...Alice que é Alice nunca deixa de sonhar)
Acho...
Triste e um desperdício a pessoa que se perde na própria vaidade, no próprio orgulho, preconceito e egoísmo.
E LIIINDO a espontaneidade ingênua, a generosidade inesperada e a elegância da simplicidade.

Cynthia - agosto/2007.

A mulher madura...

Outro texto do Affonso Romano. Gosto muito da sensibilidade e da percepção que ele tem.

Para nós...mulheres maduras, eternas meninas...

"O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.A mulher madura está pronta para algo definitivo.Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o vôo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.A mulher madura é um ser luminoso é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar. "

Affonso Romano de Sant'Anna

Indicação:
Você também pode encontrá-lo no site releituras.com http://www.releituras.com/arsant_amulher.asp

Doce Cora...

Quem dera ser como Cora Coralina que literalmente adoçou a vida e a alma das pessoas...
Visitei sua casa em Goiás Velho: a cozinha com os tachos de doces; o quarto que comprova a sua simplicidade; a biblioteca com poucos, mas seletos livros, sua escrivaninha, onde ainda repousam o desgastado dicionário e Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa , que segundo escritos de Cora eram seus grandes companheiros.

Enfim...fiquei muiiiito emocionada com as simples e tocantes possiblidades da vida.


Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha um poema.
E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede.


Considerações de Aninha

Melhor do que a criatura, fez o criador a criação.
A criatura é limitada.
O tempo, o espaço, normas e costumes.
Erros e acertos.
A criação é ilimitada.
Excede o tempo e o meio.
Projeta-se no Cosmos.


Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces: Positiva e negativa
O passado foi duro mas deixou o seu legado.
Saber viver é a grande sabedoria.
Que eu possa dignificar.
Minha condição de mulher, aceitar suas limitações.
E me fazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes.
Aceitei contradições lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo.
Aprendi a viver.

Cora Coralina





Indicação:
Textos e biografias encontrados no site releituras:
http://www.releituras.com/coracoralina_menu.asp

O Sertão...

Achei esse texto de Grande Sertão: Veredas e fiquei muito impressionada com a leitura.

Riobaldo conseguiu definir essa "agonia", "desamparo", que temos dentro da gente, e que poucas pessoas buscam entender, segundo ele é o "Sertão ...o sozinho dentro da gente".

Acho que todo mundo, um dia, tem que enfrentar o seu sertão.
Guimarães Rosa, na minha leiga opinião, foi perfeito ao construir a trajetória dessa busca pelo auto-entendimento.
Vale a pena ler.

Cut up de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa**Uma colagem de frases - todas do GSV - arranjadas de modo a ilustrar o percurso de um analisando até chegar à travessia, termo empregado na clínica lacaniana para designar fim de análise.

"Querendo procurar, nunca não encontra. De repente, quando a gente não espera, o sertão vem. Posso me esconder de mim? Eu queria e não queria ouvir. Não adianta se dar as costas: se sonha, já se fez. O sertão vem e volta. Explico: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem – ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Medo tenho não é de ver morte, mas de ver nascimento. Medo mistério. O senhor não vê? Vida muito esponjosa. Careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero todos os pastos demarcados... esse mundo é muito misturado. O sertão é confusão em grande demasiado sossego. Um feio mundo, exagerado. O chão sem se vestir. Tudo aqui é perdido, tudo aqui é achado. Eu sem segurança nenhuma, só as dúvidas, e nem soubesse o que tinha de fazer.Eu já achava que a vida da gente vai em erros, como um relato sem pés nem cabeça, por falta de sisudez e alegria. Vida devia ser como na sala do teatro, cada um inteiro fazendo com forte gosto seu papel, desempenho. Era o que eu acho, é o que eu achava. Ser dono definitivo de mim, era o que eu queria, queria. Existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver – e essa pauta cada um tem – mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar; como é que sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas esse norteado, tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sendo sempre o confuso dessa doideira que é. A gente quer se afastar de si próprio... pra isso é que o muito se fala. O senhor sabe o que é o silêncio? É a gente mesmo, demais.O senhor é de fora, meu amigo mas meu estranho. Mas, talvez por isto mesmo. Falar com o estranho assim, que bem ouve e logo longe se vai embora, é um segundo proveito: faz do jeito que eu falasse mais mesmo comigo. O senhor escute, me escute mais do que eu estou lhe dizendo. Mire veja: o que é ruim, dentro da gente, a gente perverte sempre por arredar mais de si. Contar é muito, muito dificultoso. Não pelos anos que já passaram. Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas – de fazer balancê, de se remexerem dos lugares. O que eu falei foi exato? Foi. Mas teria sido? Agora, acho que nem não. Quanto mais remoto aquilo reside, a lembrança demuda de valor – se transforma, se compõe, em uma espécie de decorrido formoso. Por que era que eu estava procedendo assim? Senhor, sei? Sei que me desconheci. Ah, ânsia que não queria o que de certo queria. O senhor vá pondo seu perceber. Razão por que fiz? Sei ou não sei. De ás, eu pensava claro, acho que de bês não pensei não... aí a confusão e desordem e altos desesperos. O sertão tonteia.Conforme foi. Eu conto; o senhor me ponha ponto. Será que tem um ponto certo, dele a gente não podendo mais voltar para trás? Travessia de minha vida. A gente tem de sair do sertão! Mas só se sai do sertão é tomando conta dele adentro. Calado é melhor que fique. Peço não ter resposta: que, senão, minha confusão aumenta. Por ora mal me entende, se é que no fim me entenderá. Mas a vida não é entendível. Que é que é um nome? Nome não dá: nome recebe... Dificultoso, mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até no rabo da palavra. Caçar verdadeiro no falso. Mas o que eu acho é que o senhor já sabe mesmo tudo – que tudo lhe fiei. Aqui eu podia pôr ponto. Para tirar o final, para conhecer o resto que falta, o que lhe basta... é pôr atenção no que contei, remexer vivo o que vim dizendo. Porque não narrei nada à-toa: só apontação principal, ao que crer posso. Não esperdiço palavras. O senhor pense, o senhor ache. O senhor ponha enredo. Me ensina o que eu sabia.O que era isso, que a desordem da vida podia sempre mais do que a gente? O real roda e põe diante. Homem, sei? A vida é muito discordada. Tem partes, tem artes. A gente quer passar um rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais em baixo, bem diverso do em que primeiro se pensou. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Requeria era sarar, não desejava Céu nenhum. As pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – no que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Eu quase que nada não sei, mas desconfio de muita coisa. Atravesso as coisas – e no meio da travessia não vejo! – só estava era entretido na idéia dos lugares de saída e de chegada. Sertão é onde os pastos carecem de fechos. Quero o outro perto, eu distante de mim. Hoje em dia eu nem sei o que sei, e, o que soubesse, deixei de saber o que sabia. A gente só sabe bem aquilo que não entende. Meu coração é que entende, ajuda minha idéia a requerer e traçar.Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia. Sentei em cima de nada. E eu cri tão certo, depressa, que foi como sempre eu tivesse sabido aquilo. Se o senhor já viu disso, sabe; se não sabe, como vai saber? São coisas que não cabem em fazer idéia. Sertão é o sozinho... dentro da gente. O senhor sabe o mais que é, de se navegar sertão num rumo sem termo, amanhecendo cada manhã num pouso diferente, sem juízo de raiz? Não se tem onde se acostumar os olhos, toda firmeza se dissolve. O sertão não tem janelas nem portas... ele está em toda a parte. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos governa. Viver – não é? – é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver, mesmo. O que eu não entendo hoje, naquele tempo eu não sabia. O sertão me produz, depois me enguliu, depois me cuspiu do quente da boca... Atravessei meus fantasmas? O senhor crê minha narração? No que narrei, o senhor talvez até ache mais do que eu, a minha verdade. Fim que foi. Sei de mim? Cumpro. "

Ana Guimarães

Indicações:

O site Recanto das Letras traz o texto acima e outros também interessantes:

http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=662911

Biografia e textos de Guimarães Rosa no site Releituras.com:

http://www.releituras.com/guimarosa_bio.asp

O Pessoa...

Pessoa e suas pessoas fazem parte de mim...
Sou o Pessoa muito mais do a mim...
Fernando, Alvaro, Ricardo e Alberto tomam conta de mim...
Descrevem, entendem, falam e calam em mim...
AMO o Pessoa e a pessoa que ele faz de mim..
Fica aí algumas das muitas coisas que o Pessoa e as pessoas do Pessoa já falaram e calaram dentro de mim...

"Tenho em mim todos os sonhos do mundo."

"Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma"

"A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta."

"Eu que me agüente comigo e com os comigos de mim"

"... há sem dúvidas quem ame o infinito, há sem dúvidas quem deseje o possível , há sem dúvidas quem não queira nada. Há 3 tipos de idealistas, e eu , nenhum deles. Porque amo infinitamente o finito, porque desejo impossivelmente o possível, pq quero tudo , ou um pouco mais , se puder ser, ou até se não puder ser ... "

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”...

“Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Nós, como as árvores são árvores
E como os regatos são regatos
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos...
E não nos dará mais nada, porque dar-nos mais seria tirar-nos mais”

“Todas as cartas de amor são Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas...
As cartas de amor, se há amor, têm de ser Ridículas.
Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor É que são Ridículas."

"Ha doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz,
há sensações Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta coisa que, sem existir, Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.

Dá-me mais vinho, porque a vida é nada."


“O verdadeiro sábio é aquele que assim se dispõe que os acontecimentos exteriores o alterem minimamente. Para isso precisa couraçar-se cercando-se de realidades mais próximas de si do que os fatos, e através das quais os fatos, alterados para de acordo com elas, lhe chegam."Não sei quantas almas tenho.Cada momento mudei.Continuamente me estranho.Nunca me vi nem acabei.De tanto ser, só tenho alma.Quem tem alma não tem calma.Quem vê é só o que vê,Quem sente não é quem é,"

“Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar...
Eu...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu... “

Eros e Psiquê - narração de Maria Bethânia

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada...




Indicações
Encontrei três sites que gosto, e são confiáveis, sobre o Fernando Pessoa:
http://www.insite.com.br/art/pessoa/index.html

http://www.cfh.ufsc.br/~magno/frames.html

http://www.releituras.com/fpessoa_menu.asp

O primeiro encontro

Li o primeiro texto do Affondo Romano por acaso. Tava num desses sebos da vida quando me deparei com um livrinho, pequeninho cujo nome me chamou a atenção: Tempo de delicadeza; era dele, são vários contos lindos, que falam por nós, como esse que segue.

Uma longa, longa espera por um verdadeiro ENCONTRO de corpo, alma e pensamento...

O primeiro encontro

"Iam se encontrar como o equilibrista em cima de um fio, longe do chão, sem rede de amparo.Iam se encontrar como um navegante, um desbravador, chegando a um continente desconhecido e desejado.Então, já que iam se encontrar começaram a se preparar como só se preparam as ondas quando à areia vão chegar. Puseram-se a pré-sentir o momento do encontro, intensificando os sinais trocados como o piloto emite sinais de aproximação atento ao radar.Este não era um encontro qualquer, senão o primeiro. E o primeiro encontro, eu lhes digo, exige arte maior. Por isto , sendo adultos, pareciam ter dezesseis anos, ou qualquer idade em que o primeiro encontro se dá.Os que vão ao primeiro encontro querem pavimentar o caminho do encontrar. E nisto às vezes aplicam tal esmero, que até parece que estão mais interessados no pré-encontro que no encontrar.Eles têm algo secreto que ninguém vai detectar. Na verdade, se parecem a essas galáxias que avançam a trezentos mil quilômetros por segundo ao nosso encontro, e nem por isto são notadas pelos simples mortais.Eles dialogam com o invisível e com o imponderável. Com a alma silvestre, colhem flores inexistentes no asfalto e vêem ternura na rispidez dos edifícios.Não pisam o chão dos demais. Na verdade, caminhavam já noutra dimensão.A carga do primeiro encontro, eu lhes digo, às vezes é quase insuportável. Só quem tem asas de anjo pode transportá-la.O desejável é que o primeiro encontro fluísse com a naturalidade que só têm aqueles que já se encontram cem vezes. Mas para se encontrarem cem vezes, eles sabem, é necessário transpor , construir esse primeiro e incontornável encontro.O poeta dizia que a vida é a arte do encontro embora haja tantos desencontros. Pois há também a sutil arte do primeiro encontro. E o primeiro encontro é tão complexo e interminável, que devemos admitir que ele pode se dar no décimo quinto encontro ou trinta anos depois. Podem, estranhamente, os desencontros anteriores terem sido o esboço do autêntico encontro, que quando ocorrer será iniludível...O ideal é que todo encontro fosse o primeiro encontro. E que se parecesse àquela coisa dos andróginos, aquelas duas partes de um ser que andaram se buscando exiladas por aí, até que um dia se abraçaram e fundiram-se para nunca mais.Quando uma pessoa parte para o primeiro encontro em vão vai se indagando: “ Que presente te dar?” . Todos os presentes parecem precários, fugazes, incompletos. Porque é imensurável o que cada um quer receber e o quanto se quer dar."
Affonso Romano de Sant’Anna

Indicação:
Sant'Anna, Affonso Romano de , 1937 - Tempo de delicadeza/Affonso Romano Sant'Anna - Porto Alegre L&PM, 2007.

O site Releituras.com também traz a sua biografia e alguns textos:

http://www.releituras.com/arsant_bio.asp