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"Minha alma se parece ao mar: tem ondas e tempestades; mas nas suas profundidades muitas perólas se hão de encontrar." Heinrich Heine - poeta alemão

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Asas do Desejo, Win Wenders e o meu Anjo...

Asas do Desejo de Win Wenders é um dos filmes da minha vida.
Desde que assiti venho tentando encontrar o meu Anjo que se jogou da eternidade por amor...rsrsrs...totalmente irreal, mas bom demais de se imaginar possível.
Há muito mais no filme, principalmente quando os anjos ouvem os pensamentos das pessoas com a compaixão que eles merecem; as bibliotecas são seus lugares preferidos, pois lá há mais pensamentos; somente algumas crianças conseguem vê-los;todos os anjos se encontram ao amanhecer e ao anoitecer na praia e o mundo, para eles, é em preto e branco. Porém, o desejo de ser mortal para conhecer o amor e as coisas simples da vida faz com que esse anjo desista de tudo e vá atrás da sua trapezista. Poético, sensível, profundo...lindo!!!

Segue o link de algumas cenas:







Falem o que quiserem... ninguém vai me impedir de inventar, nem de esperar, nem de Encontrar... o meu Anjo.

Não sei bem quando tudo começou, se foi o primeiro olhar, a primeira palavra...
O jeito de andar, o tom de voz, o perfume, a proximidade...o primeiro toque , o friozinho da barriga, aquele suspiro profundo...não sei... mas de repente, eu te Encontrei e você era tudo o que eu queria. Perfeito.
Tranquilo, bem-humorado, bonito, inteligente, sensual, educado..Ahhhh!! Perfeito!
Te encontrei poucas vezes na vida, mas eu te amei muito, de corpo e alma, sempre.
Para os deslizes...havia sempre justificativas: timidez, muito trabalho, o futebol.
Porque amor?? Ahhh !!! Esse existia de paralisar, de transbordar...
Um dia...tudo vai acontecer!!! Calma, calma...tenha paciência coração...respeite o tempo dele.
E assim foi...e assim tem sido...
E assim , hoje, percebo, quase que incrédula, que você só existe aqui, dentro de mim.
Percebo o quanto te confundi , te procurei e te perdi dentro de rostos, corpos e olhares reais.
Que esse Encontro pode demorar, ou até nem acontecer...
E enquanto isso...vou ter que ficar te desconstruindo, te “descorporificando” dos meus enganos, mal-entendidos, desencontros...
Restando-me, apenas... a espera, o imponderável, a contingência...para Encontrar você o meu Anjo.

Cynthia abril/2008

P.S. : Tô achando que vou mandar a conta do analista para o Win Wenders...é ele o culpado...só pode...rsrsrsrs

terça-feira, 29 de abril de 2008

Eu...

Estou...
Sempre disposta a estender a mão... para aquilo que me toca, para aquilo que eu acho justo. Sempre em busca do equilíbrio, da paz e da felicidade...bem...pelo menos eu tento.
Sempre encarando os acontecimentos como mais uma experiência, mais um aprendizado. Sempre olhando o lado bom das pessoas ( já quebrei muiiito a cara, mas...Alice que é Alice nunca deixa de sonhar)
Acho...
Triste e um desperdício a pessoa que se perde na própria vaidade, no próprio orgulho, preconceito e egoísmo.
E LIIINDO a espontaneidade ingênua, a generosidade inesperada e a elegância da simplicidade.

Cynthia - agosto/2007.

A mulher madura...

Outro texto do Affonso Romano. Gosto muito da sensibilidade e da percepção que ele tem.

Para nós...mulheres maduras, eternas meninas...

"O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.A mulher madura está pronta para algo definitivo.Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o vôo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.A mulher madura é um ser luminoso é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar. "

Affonso Romano de Sant'Anna

Indicação:
Você também pode encontrá-lo no site releituras.com http://www.releituras.com/arsant_amulher.asp

Doce Cora...

Quem dera ser como Cora Coralina que literalmente adoçou a vida e a alma das pessoas...
Visitei sua casa em Goiás Velho: a cozinha com os tachos de doces; o quarto que comprova a sua simplicidade; a biblioteca com poucos, mas seletos livros, sua escrivaninha, onde ainda repousam o desgastado dicionário e Grande Sertão Veredas de Guimarães Rosa , que segundo escritos de Cora eram seus grandes companheiros.

Enfim...fiquei muiiiito emocionada com as simples e tocantes possiblidades da vida.


Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha um poema.
E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede.


Considerações de Aninha

Melhor do que a criatura, fez o criador a criação.
A criatura é limitada.
O tempo, o espaço, normas e costumes.
Erros e acertos.
A criação é ilimitada.
Excede o tempo e o meio.
Projeta-se no Cosmos.


Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces: Positiva e negativa
O passado foi duro mas deixou o seu legado.
Saber viver é a grande sabedoria.
Que eu possa dignificar.
Minha condição de mulher, aceitar suas limitações.
E me fazer pedra de segurança dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes.
Aceitei contradições lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo.
Aprendi a viver.

Cora Coralina





Indicação:
Textos e biografias encontrados no site releituras:
http://www.releituras.com/coracoralina_menu.asp

O Sertão...

Achei esse texto de Grande Sertão: Veredas e fiquei muito impressionada com a leitura.

Riobaldo conseguiu definir essa "agonia", "desamparo", que temos dentro da gente, e que poucas pessoas buscam entender, segundo ele é o "Sertão ...o sozinho dentro da gente".

Acho que todo mundo, um dia, tem que enfrentar o seu sertão.
Guimarães Rosa, na minha leiga opinião, foi perfeito ao construir a trajetória dessa busca pelo auto-entendimento.
Vale a pena ler.

Cut up de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa**Uma colagem de frases - todas do GSV - arranjadas de modo a ilustrar o percurso de um analisando até chegar à travessia, termo empregado na clínica lacaniana para designar fim de análise.

"Querendo procurar, nunca não encontra. De repente, quando a gente não espera, o sertão vem. Posso me esconder de mim? Eu queria e não queria ouvir. Não adianta se dar as costas: se sonha, já se fez. O sertão vem e volta. Explico: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem – ou é o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Medo tenho não é de ver morte, mas de ver nascimento. Medo mistério. O senhor não vê? Vida muito esponjosa. Careço de que o bom seja bom e o ruim ruim, que dum lado esteja o preto e do outro o branco, que o feio fique bem apartado do bonito e a alegria longe da tristeza! Quero todos os pastos demarcados... esse mundo é muito misturado. O sertão é confusão em grande demasiado sossego. Um feio mundo, exagerado. O chão sem se vestir. Tudo aqui é perdido, tudo aqui é achado. Eu sem segurança nenhuma, só as dúvidas, e nem soubesse o que tinha de fazer.Eu já achava que a vida da gente vai em erros, como um relato sem pés nem cabeça, por falta de sisudez e alegria. Vida devia ser como na sala do teatro, cada um inteiro fazendo com forte gosto seu papel, desempenho. Era o que eu acho, é o que eu achava. Ser dono definitivo de mim, era o que eu queria, queria. Existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada uma pessoa viver – e essa pauta cada um tem – mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar; como é que sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas esse norteado, tem. Tem que ter. Se não, a vida de todos ficava sendo sempre o confuso dessa doideira que é. A gente quer se afastar de si próprio... pra isso é que o muito se fala. O senhor sabe o que é o silêncio? É a gente mesmo, demais.O senhor é de fora, meu amigo mas meu estranho. Mas, talvez por isto mesmo. Falar com o estranho assim, que bem ouve e logo longe se vai embora, é um segundo proveito: faz do jeito que eu falasse mais mesmo comigo. O senhor escute, me escute mais do que eu estou lhe dizendo. Mire veja: o que é ruim, dentro da gente, a gente perverte sempre por arredar mais de si. Contar é muito, muito dificultoso. Não pelos anos que já passaram. Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas – de fazer balancê, de se remexerem dos lugares. O que eu falei foi exato? Foi. Mas teria sido? Agora, acho que nem não. Quanto mais remoto aquilo reside, a lembrança demuda de valor – se transforma, se compõe, em uma espécie de decorrido formoso. Por que era que eu estava procedendo assim? Senhor, sei? Sei que me desconheci. Ah, ânsia que não queria o que de certo queria. O senhor vá pondo seu perceber. Razão por que fiz? Sei ou não sei. De ás, eu pensava claro, acho que de bês não pensei não... aí a confusão e desordem e altos desesperos. O sertão tonteia.Conforme foi. Eu conto; o senhor me ponha ponto. Será que tem um ponto certo, dele a gente não podendo mais voltar para trás? Travessia de minha vida. A gente tem de sair do sertão! Mas só se sai do sertão é tomando conta dele adentro. Calado é melhor que fique. Peço não ter resposta: que, senão, minha confusão aumenta. Por ora mal me entende, se é que no fim me entenderá. Mas a vida não é entendível. Que é que é um nome? Nome não dá: nome recebe... Dificultoso, mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até no rabo da palavra. Caçar verdadeiro no falso. Mas o que eu acho é que o senhor já sabe mesmo tudo – que tudo lhe fiei. Aqui eu podia pôr ponto. Para tirar o final, para conhecer o resto que falta, o que lhe basta... é pôr atenção no que contei, remexer vivo o que vim dizendo. Porque não narrei nada à-toa: só apontação principal, ao que crer posso. Não esperdiço palavras. O senhor pense, o senhor ache. O senhor ponha enredo. Me ensina o que eu sabia.O que era isso, que a desordem da vida podia sempre mais do que a gente? O real roda e põe diante. Homem, sei? A vida é muito discordada. Tem partes, tem artes. A gente quer passar um rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais em baixo, bem diverso do em que primeiro se pensou. Verdade maior. É o que a vida me ensinou. Requeria era sarar, não desejava Céu nenhum. As pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – no que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Eu quase que nada não sei, mas desconfio de muita coisa. Atravesso as coisas – e no meio da travessia não vejo! – só estava era entretido na idéia dos lugares de saída e de chegada. Sertão é onde os pastos carecem de fechos. Quero o outro perto, eu distante de mim. Hoje em dia eu nem sei o que sei, e, o que soubesse, deixei de saber o que sabia. A gente só sabe bem aquilo que não entende. Meu coração é que entende, ajuda minha idéia a requerer e traçar.Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia. Sentei em cima de nada. E eu cri tão certo, depressa, que foi como sempre eu tivesse sabido aquilo. Se o senhor já viu disso, sabe; se não sabe, como vai saber? São coisas que não cabem em fazer idéia. Sertão é o sozinho... dentro da gente. O senhor sabe o mais que é, de se navegar sertão num rumo sem termo, amanhecendo cada manhã num pouso diferente, sem juízo de raiz? Não se tem onde se acostumar os olhos, toda firmeza se dissolve. O sertão não tem janelas nem portas... ele está em toda a parte. E a regra é assim: ou o senhor bendito governa o sertão, ou o sertão maldito vos governa. Viver – não é? – é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é o viver, mesmo. O que eu não entendo hoje, naquele tempo eu não sabia. O sertão me produz, depois me enguliu, depois me cuspiu do quente da boca... Atravessei meus fantasmas? O senhor crê minha narração? No que narrei, o senhor talvez até ache mais do que eu, a minha verdade. Fim que foi. Sei de mim? Cumpro. "

Ana Guimarães

Indicações:

O site Recanto das Letras traz o texto acima e outros também interessantes:

http://recantodasletras.uol.com.br/visualizar.php?idt=662911

Biografia e textos de Guimarães Rosa no site Releituras.com:

http://www.releituras.com/guimarosa_bio.asp

O Pessoa...

Pessoa e suas pessoas fazem parte de mim...
Sou o Pessoa muito mais do a mim...
Fernando, Alvaro, Ricardo e Alberto tomam conta de mim...
Descrevem, entendem, falam e calam em mim...
AMO o Pessoa e a pessoa que ele faz de mim..
Fica aí algumas das muitas coisas que o Pessoa e as pessoas do Pessoa já falaram e calaram dentro de mim...

"Tenho em mim todos os sonhos do mundo."

"Quem não vê bem uma palavra não pode ver bem uma alma"

"A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta."

"Eu que me agüente comigo e com os comigos de mim"

"... há sem dúvidas quem ame o infinito, há sem dúvidas quem deseje o possível , há sem dúvidas quem não queira nada. Há 3 tipos de idealistas, e eu , nenhum deles. Porque amo infinitamente o finito, porque desejo impossivelmente o possível, pq quero tudo , ou um pouco mais , se puder ser, ou até se não puder ser ... "

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”...

“Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Nós, como as árvores são árvores
E como os regatos são regatos
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos...
E não nos dará mais nada, porque dar-nos mais seria tirar-nos mais”

“Todas as cartas de amor são Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas...
As cartas de amor, se há amor, têm de ser Ridículas.
Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor É que são Ridículas."

"Ha doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz,
há sensações Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta coisa que, sem existir, Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.

Dá-me mais vinho, porque a vida é nada."


“O verdadeiro sábio é aquele que assim se dispõe que os acontecimentos exteriores o alterem minimamente. Para isso precisa couraçar-se cercando-se de realidades mais próximas de si do que os fatos, e através das quais os fatos, alterados para de acordo com elas, lhe chegam."Não sei quantas almas tenho.Cada momento mudei.Continuamente me estranho.Nunca me vi nem acabei.De tanto ser, só tenho alma.Quem tem alma não tem calma.Quem vê é só o que vê,Quem sente não é quem é,"

“Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar...
Eu...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu... “

Eros e Psiquê - narração de Maria Bethânia

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada...




Indicações
Encontrei três sites que gosto, e são confiáveis, sobre o Fernando Pessoa:
http://www.insite.com.br/art/pessoa/index.html

http://www.cfh.ufsc.br/~magno/frames.html

http://www.releituras.com/fpessoa_menu.asp

O primeiro encontro

Li o primeiro texto do Affondo Romano por acaso. Tava num desses sebos da vida quando me deparei com um livrinho, pequeninho cujo nome me chamou a atenção: Tempo de delicadeza; era dele, são vários contos lindos, que falam por nós, como esse que segue.

Uma longa, longa espera por um verdadeiro ENCONTRO de corpo, alma e pensamento...

O primeiro encontro

"Iam se encontrar como o equilibrista em cima de um fio, longe do chão, sem rede de amparo.Iam se encontrar como um navegante, um desbravador, chegando a um continente desconhecido e desejado.Então, já que iam se encontrar começaram a se preparar como só se preparam as ondas quando à areia vão chegar. Puseram-se a pré-sentir o momento do encontro, intensificando os sinais trocados como o piloto emite sinais de aproximação atento ao radar.Este não era um encontro qualquer, senão o primeiro. E o primeiro encontro, eu lhes digo, exige arte maior. Por isto , sendo adultos, pareciam ter dezesseis anos, ou qualquer idade em que o primeiro encontro se dá.Os que vão ao primeiro encontro querem pavimentar o caminho do encontrar. E nisto às vezes aplicam tal esmero, que até parece que estão mais interessados no pré-encontro que no encontrar.Eles têm algo secreto que ninguém vai detectar. Na verdade, se parecem a essas galáxias que avançam a trezentos mil quilômetros por segundo ao nosso encontro, e nem por isto são notadas pelos simples mortais.Eles dialogam com o invisível e com o imponderável. Com a alma silvestre, colhem flores inexistentes no asfalto e vêem ternura na rispidez dos edifícios.Não pisam o chão dos demais. Na verdade, caminhavam já noutra dimensão.A carga do primeiro encontro, eu lhes digo, às vezes é quase insuportável. Só quem tem asas de anjo pode transportá-la.O desejável é que o primeiro encontro fluísse com a naturalidade que só têm aqueles que já se encontram cem vezes. Mas para se encontrarem cem vezes, eles sabem, é necessário transpor , construir esse primeiro e incontornável encontro.O poeta dizia que a vida é a arte do encontro embora haja tantos desencontros. Pois há também a sutil arte do primeiro encontro. E o primeiro encontro é tão complexo e interminável, que devemos admitir que ele pode se dar no décimo quinto encontro ou trinta anos depois. Podem, estranhamente, os desencontros anteriores terem sido o esboço do autêntico encontro, que quando ocorrer será iniludível...O ideal é que todo encontro fosse o primeiro encontro. E que se parecesse àquela coisa dos andróginos, aquelas duas partes de um ser que andaram se buscando exiladas por aí, até que um dia se abraçaram e fundiram-se para nunca mais.Quando uma pessoa parte para o primeiro encontro em vão vai se indagando: “ Que presente te dar?” . Todos os presentes parecem precários, fugazes, incompletos. Porque é imensurável o que cada um quer receber e o quanto se quer dar."
Affonso Romano de Sant’Anna

Indicação:
Sant'Anna, Affonso Romano de , 1937 - Tempo de delicadeza/Affonso Romano Sant'Anna - Porto Alegre L&PM, 2007.

O site Releituras.com também traz a sua biografia e alguns textos:

http://www.releituras.com/arsant_bio.asp

Depois daquela noite...

Mais um, dos muitos, dos meus desencontros...

Depois daquela noite

Depois daquela noite, passei muito tempo rindo à toa.
Lembrava com detalhes... a tua delicadeza, o nosso encantamento.
Mas você era tão livre, tão distante...não podia ser meu ...não...não podia.
Acostumei-me com as lembranças eventuais, o tempo passou, cheguei a esquecer.
Um dia, depois de muito tempo, você voltou para a minha vida.
Aparentemente e inacreditavelmente magoado com o meu descaso involuntário.
Será?
Será possível que existe sentimento ?
A idéia, a possibilidade de viver esse amor me enfeitiçou, cegou, tomou conta de mim.
Alimentava-se de migalhas e jogo de cenas, mas crescia forte...inabalável.
Quase enlouqueci tentando descobri a verdade... a tua verdade.
Lutei obsessivamente contra a tua resistência... a tua insensatez.
Feri, fui ferida, nos ferimos...muito...muito.
Triste...como toda possibilidade, toda idéia de um grande amor não vivido.
E daquela noite...não me restou nem a lembrança... nem a delicadeza,
nem o encantamento... pra ficar rindo à toa...

Cynthia - abril/2008

Tudo e nada

Tudo e nada.

Sempre foi assim na minha vida.
Eu sempre tive tudo e nada, um de cada vez e ao mesmo tempo.
Mas o que eu quero dentro do tudo?
Por que eu procuro sempre o nada?
Viajo, vivo histórias, crio estórias, sou incrivelmente feliz... este é o momento do tudo.
Aquieto-me, recolho-me, busco-me, sou inexoravelmente lúcida...este é o momento do nada.
A convergência desses momentos existe.
Alguns chamam de loucura, outros de agonia.
Eu chamo de solidão.

Cynthia - setembro/2007

Chico...

Sou apaixonada por ele.

Queria uma versão real dele,
porque ele não existe,
foi lapidado, inventado,
abençoado, para falar por, sobre e de nós...
as mulheres dele, as mulheres de Hollanda.

Um dos depoimentos mais perfeitos sobre o mestre da perfeição:

Chico de Hollanda, de aqui e de alhures "Parceiro de euforias e desventuras, amigo de todos os segundos, generosidade sistemáticaa, silêncios eloquentes, palavras cirúrgicas, humor afiado, serenas firmezas, traquinas, as notas na polpa dos dedos, o verbo vadiando na ponta da língua - tudo À flor do coração, em carne viva... Cavalo de sambistas, alquimistas, menestréis, mundanas, olhos roucos, suspiros nômades, a alma à deriva, Chico Buarque não existe,
É uma ficção - saibam.
Inventado porque necessário, vital, sem o qual o Brasil seria mais pobre, estaria mais vazio, sem semana, sem tijolo, sem desenho, sem construção."

Ruy Guerra, cineasta e escritor, outubro de 1998

Indicação:
O site da Uol sobre ele ficou muito bom.

http://chicobuarque.uol.com.br/

A grande Dama dos versos...

Ela me encanta, emociona, surpreende...

Fernando Pessoa a deixou horas esperando num café em Portugal, só porque o horóscopo dele dizia que não era um bom dia para sair de casa.
Ela escreveu uma linda história sobre uma letra, que saiu do seu nome para aliviar a sua dor e mudar a sua vida..

Cecília Meireles, para todos. Meirelles, para o cartório, segundo ela.



Retrato

"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste,
assim magro,nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coraçãoque nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face? "

Nem tudo é fácil

É difícil fazer alguém feliz,
Assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer "Eu te amo",
Assim como é fácil não dizer nada.
É difícil valorizar um amor,
Assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer por hoje,
Assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil se convencer de que se é feliz,
Assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir,
Assim como é fácil fazer chorar.
É difícil se pôr no lugar de alguém,
Assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão?
Mas quem disse que é fácil ser perdoado?!
Se alguém errou com você, perdoa-o... É difícil perdoar?
Mas quem disse que é fácil se arrepender?!
Se você sente algo, diga... É difícil se abrir? Ma
s quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?!
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?!
Se alguém ama você, ame-o...
É difícil se entregar?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?!
Nem tudo é fácil na vida...
Mas, com certeza, nada é impossível.
Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos,mas também tornemos todos esses desejos, REALIDADE !!!

Indicação:
O site Releituras.com :
http://www.releituras.com/cmeireles_bio.asp

segunda-feira, 28 de abril de 2008

O maior amor do mundo...

Sem palavras, sem comentários...só AMOR, muiiiito AMOR.




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